Aproveitamento da casca do coco verde - lixo transformado em riqueza PDF Imprimir E-mail

O anúncio da Prefeitura do Rio de Janeiro de proibir a venda do coco verde nas praias, decisão anunciada em novembro que logo em seguida foi revertida, levanta novo debate sobre a necessidade urgente de melhoria na gestão dos resíduos sólidos na cidade.

Na verdade o resíduo representado pela casca do coco verde é um problema ambiental nacional, mas hoje já está disponível tecnologia adequada para viabilizar o seu aproveitamento, o que não ocorria há pouco tempo atrás, quando somente a casca do coco maduro era processada. O Brasil possui cultivados cerca de 90 mil hectares de coco verde pra consumo de água e, segundo a Embrapa, cerca de 70% de todo o lixo gerado nas praias brasileiras são cascas de coco verde.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical, Morsyleide de Freitas, os principais usos da casca de coco são: o substrato agrícola (pó de coco, de grande aceitação na Europa para uso em estufas), fibras (usadas na confecção de solados de sapatos; encostos e bancos de veículos; misturas asfálticas; vasos, placas e bastões para plantas e artesanatos diversos); cobertura morta para a agricultura; fonte alternativa de energia (briquetes – pequenas toras compactadas do resíduo com alto poder calorífico – que seriam considerados “carvão ecológico” substituindo óleo combustível e madeira em fornalhas, lareiras etc; líquido da casca do coco verde (LCCV), gerado com a prensagem do coco que tem potencial farmacológico, na fabricação de adesivos, como fertilizante e na geração de biogás.

Como qualquer atividade econômica, é necessário que uma unidade processadora de coco verde seja viável economicamente, do contrário não haverá interesse em implantá-la. Não é raro, contudo, que empresas que trabalham com este resíduo estabeleçam parcerias com o poder municipal e até elimine o custo com a coleta das cascas.

De acordo com a Embrapa, uma unidade processadora (pó e fibra) com 600 m2 representa um investimento de R$ 210.000,00 (preços de julho de 2007) para a construção civil e mais R$ 75.000,00 com máquinas e equipamentos, sem veículo, com tempo de retorno muito bom, de cerca de um ano.

Segundo Adriano Mattos, da Embrapa Agroindústria Tropical, no Brasil existem cerca de 15 unidades de processamento de coco (seco e verde) que foram desenvolvidas junto com a Embrapa e a metalúrgica Fortalmag. Estas se localizam no Ceará, Rio Grande do Norte (Recicloco), Espírito Santo (Biococo), Rio de Janeiro (Coco Verde), São Paulo, Santos, Mato Grosso, Goiânia e Brasília.

Apenas para ilustrar, sabe-se que no Sri Lanka e na Índia o beneficiamento da fibra do coco emprega mais de 500 mil pessoas, sobretudo mulheres na zona rural, sendo considerada uma atividade estratégica do ponto de vista social e ambiental.

 

Fonte: Portal CREA-RJ em 05/01/2010

 

O povo que subjuga outro, forja suas próprias cadeias.


Karl Marx

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